Com objetivo de lançar um olhar para a falta de integração responsável entre meio ambiente e sociedade, o grupo de pesquisa Patrimônio Cultural da Dom Helder Câmara, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), realizou, nessa sexta-feira, 6 de abril, uma visita à Bento Rodrigues.

A cidade, que é distrito de Mariana, foi alvo do maior desastre ecológico do Brasil, entrando também, para a lista dos países onde ocorreram os piores desastres ambientais do planeta.

Nesse contexto, o grupo de pesquisa, liderado pela professora da Dom Helder, Beatriz Souza Costa, procura responder à seguinte pergunta: como viabilizar que as identidades, sejam individuais ou coletivas, possam ser mantidas, apesar das rupturas simbólicas ocasionadas com a ruptura da barragem de fundão?

Para responder o questionamento, o grupo tem feito uma série de pesquisas de campo em Mariana para identificar os caminhos para uma cooperação social eficiente e amenizar o sofrimento dessa Comunidade tão afetada e sofrida pelo desastre do rompimento da Barragem de Fundão.

O grupo foi recebido pela Fundação Renova. Os pesquisadores foram a antiga Comunidade de Bento Rodrigues. Além disso, visitaram também a região escolhida pelos moradores para o assentamento do “Novo Bento”. A região é mais próxima de Mariana e apresenta aspectos favoráveis para o estabelecimento das famílias.

O grupo é composto também pelos pesquisadores Ana Virginia Gabrich, Camila Martins, Carolina Carneiro, Marcos Edmar Ramos e os alunos Guilherme Lara Duarte e Marina Sá Souza Oliveira.
 
Sobre o desastre

O rompimento da barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, em Bento Rodrigues, ocorreu em 5 de novembro de 2015. Foram despejados 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A lama atingiu o Rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

De acordo Beatriz Sousa Costa, “além das 19 vidas perdidas, os danos ambientais ainda serão sentidos por muitos anos, sendo que alguns são irreversíveis. Além disso, perderam-se histórias individuais e coletivas. As identidades particulares e comunitárias, desenvolvidas no distrito e pela imensa área afetada pela lama de rejeitos, foram definitivamente perdidas. Desta forma, terão que ser resignificadas”.