Em março de 2018, uma investigação conjunta dos jornais The Guardian e The New York Times revelou que dados pessoais de 50 milhões de norte-americanos foram obtidos irregularmente pela empresa Cambridge Analytica e utilizados de modo indevido para fins eleitorais. A companhia britânica, que trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump, anunciou o seu fechamento dois meses depois. O escândalo também derrubou o Facebook, empresa de tecnologia dos Estados Unidos, que se viu obrigado a revisar as condições de privacidade e a gestão das informações pessoais dos usuários.

Em depoimentos à imprensa, o canadense Christopher Wylie, ex-diretor de tecnologia da Cambridge Analytica, contou que a companhia tinha comprado dados de milhões de usuários do Facebook sem o consentimento deles. Os dados foram obtidos por meio de um aplicativo de perfil psicológico desenvolvido por um pesquisador da Universidade Cambridge. O aplicativo permitia o acesso a informações dos usuários e também de seus amigos. De acordo com Wylie, os dados vendidos à Cambridge Analytica teriam sido usados para traçar o perfil das pessoas e direcionar, de forma mais personalizada, materiais a favor do republicano Donald Trump e mensagens contrárias à adversária dele, a democrata Hillary Clinton.

“A partir de 2016, ficou mais claro como o ganho de eficiência provocado pelo big data passou a ser utilizado para causar interferências em processos democráticos. O escândalo Cambridge Analytica foi um grande alerta neste sentido. Nos EUA, apenas 70 mil eleitores, em três estados, foram determinantes para a virada improvável a favor de Donald Trump. O padrão de comportamento dos eleitores em redes sociais foi utilizado para gerar fake news personalizadas com alto poder de impacto. O Brexit e a eleição brasileira de 2018 também foram afetados pela manipulação algorítimica”, aponta o pesquisador e advogado Caio Lara, professor da Dom Helder Escola de Direito. No dia 12 de setembro, ele será um dos palestrantes do II Congresso do Conhecimento, em painel sobre Inteligência Artificial.

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